Gênio da crônica e do humor: veja destaques da trajetória de Luís Fernando Veríssimo

  • 31/08/2025
Morre aos 88 anos o jornalista e escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo Morreu hoje (30) de madrugada, em Porto Alegre, o jornalista e escritor Luís Fernando Veríssimo. Ele tinha 88 anos. TV. Teatro. Cinema. Uma obra que se espalhou de diversas formas depois de ganhar o Brasil nas páginas dos jornais e livros. "Para mim é um mistério. Esse sucesso do livro é um mistério. Um fenômeno inexplicável", disse Luis Fernando Veríssimo em entrevista de arquivo. Talvez dê para começar a explicar pelo sobrenome. Veríssimo. Luis Fernando, filho de Érico. Um dos maiores nomes da literatura nacional, autor de obras como O Tempo e o Vento, uma influência inquestionável. "O pai foi um dos primeiros escritores brasileiros a escrever de uma maneira mais informal E eu acho que herdei um pouco isso. Essa informalidade na maneira de escrever", afirmou Luis Fernando Veríssimo . Luis Fernando Veríssimo nasceu em Porto Alegre, em 1936. Viveu parte da infância e da adolescência nos Estados Unidos, nos anos 60, trabalhou como tradutor, no Rio, onde se casou com Lucia Helena Massa, o amor da vida toda. "Isso tudo aconteceu porque a Lúcia era péssima datilógrafa", contou Veríssimo em entrevista a Pedro Bial em 2019. "Ele resolveu o caso casando, e se livrar da datilógrafa foi melhor negócio", brincou em resposta Lucia. De volta à capital gaúcha, a carreira de jornalista começou no Jornal Zero Hora, "Eu demorei muito para começar a escrever né, eu comecei com 30 anos, até então não tinha escrito nada, fora umas traduções do inglês para o português. E aí quando comecei a escrever eu já sabia mais ou menos como fazer", comentou Luis Fernando Veríssimo no programa Conversa com Bial. O primeiro livro, O Popular, foi lançado em 1973. Ao todo foram mais de 60 publicações. Crônicas, romances, contos e quadrinhos bem-humorados... que fizeram de Veríssimo um dos autores mais lidos do país. "Não tenho uma vocação humorística, mas consigo eventualmente produzir humor. Mas é uma coisa mais deliberada, mais pensada, do que propriamente espontânea, no meu caso", disse Veríssimo. Uma das marcas do humor crítico e sagaz está nas tirinhas que marcaram época. Duas serpentes que debatiam sobre futebol, o sentido da vida e a política. "Era época da ditadura. Eu comecei a ter um espaço no jornal em 1969, não se podia criticar governo obviamente, militar, não podia falar. Então as cobras foi uma maneira de eu dizer um pouco do que eu gostaria de dizer, mas no texto eu não daria para dizer. Talvez porque cobra e desenho tenha conotação de coisa infantil, coisa lúdica, passava pela censura", disse Veríssimo à GloboNews Literatura. Dentre os personagens mais conhecidos, o Analista de Bagé. Um gaúcho com abordagem bruta e técnicas pouco convencionais de tratar os pacientes. "Nunca pensei que meu personagem fosse virar estátua. Ainda mais na própria cidade de Bagé que eu escolhi como cenário pras atividades dele". Na Globo, Veríssimo foi um dos roteiristas da lendária TV Pirata, no fim dos anos 80 e o livro "Comédias da Vida Privada" foi adaptado para uma série. "Um desafio, porque o humor de televisão, ao contrário do que possa parecer, é mais difícil de fazer que o humor impresso, o humor gráfico, vamos dizer assim". Por trás da desenvoltura com o saxofone, uma de suas grandes paixões, se escondia um homem tímido. "Minha timidez é, por exemplo, tenho horror de fazer isso que tô fazendo agora. Dar entrevista, falar em público e tal. Eu sempre digo que não dominei a arte de falar e pensar ao mesmo tempo né, são duas coisas que se excluem. Então é nesse sentido é que se manifesta a minha timidez". Mas a economia nas palavras não se aplicava às máquinas de escrever e, depois, aos computadores. Os textos de Veríssimo frequentaram os principais veículos impressos do país. No jornal O Globo, foi colunista por 22 anos. "Essa é uma das vantagens da crônica. Ele [o escritor] pode ser o que quiser escrevendo uma crônica". Veríssimo tinha doença de Parkinson e problemas cardíacos. Em 2021, sofreu um acidente vascular cerebral, que o afastou da escrita. Ele estava internado desde o dia 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, com um quadro de pneumonia. Veríssimo deixa a mulher, três filhos e dois netos. Numa das últimas entrevistas, ao programa Conversa com Bial, Veríssimo falou sobre o fim da vida, com a mesma leveza que marcou sua obra. Bial: "Você pensa em posteridade?" Veríssimo: "O que vier depois da gente?" Bial: "Como você vai ficar?" Veríssimo: "Eu sempre digo que a morte é a última coisa que eu quero que me aconteça (risos)".

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/08/30/genio-da-cronica-e-do-humor-veja-destaques-da-trajetoria-de-luis-fernando-verissimo.ghtml


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